quarta-feira, 22 de abril de 2009

Mais 6 temas

Estrada Lusa continua a trabalhar em grande...

Mais 6 temas em trabalho...

Aqui fica mais um...

Índios da Meia Praia
Zeca Afonso

Aldeia da Meia Praia
Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga
Da melhor que sei e faço

De Monte gordo vieram
Alguns por seu próprio pé
Um chegou de bicicleta
Outro foi de marcha à ré

Quando os teus olhos tropeçam
No voo de uma gaivota
Em vez de peixe vê peças de oiro
Caindo na lota

Quem aqui vier morar
Não traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana

Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te nudo
Chupam-te até ao tutano
Levam-te o couro cabeludo

Quem dera que a gente tenha
De Agostinho a valentia
Para alimentar a sanha
De esganar a burguesia

Adeus disse a Monte gordo
Nada o prende ao mal passado
Mas nada o prende ao presente
Se só ele é o enganado

Oito mil horas contadas
Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro
Documento autenticado

Eram mulheres e crianças
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
quem diz o contrario é tolo

E se a ma língua não cessa
Eu daqui vivo não saia
Pois nada apaga a nobreza
Dos índios da Meia-Praia

Foi sempre tua figura
Tubarão de mil aparas
Deixas tudo à dependura
Quando na presa reparas

Das eleições acabadas
Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto
Muitas obras embargadas

Mas não por vontade própria
Porque a luta continua
Pois é dele a sua história
E o povo saiu à rua

Mandadores de alta finança
Fazem tudo andar para trás
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz

Eram mulheres e crianças
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
Que diz o contrario é tolo

E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hão-de fugir aos berros
Ainda a banda vai na estrada

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Temas novos... Sonoridades diferentes...

Depois da Maquete prontinha, continuamos a ensaiar....


Temas novos... Sonoridades diferentes... Mas sempre, sempre na mesma Estrada, a contruir um percurso...


Fiquem com mais uma música intemporal



Tourada
Letra: Ary dos Santos
Música: Fernando Tordo
Interprete: Fernando Tordo

Não importa sol ou sombra

camarotes ou barreiras

toureamos ombro a ombro as feras.

Ninguém nos leva ao engano

toureamos mano a mano

só nos podem causar dano espera.


Entram guizos chocas e capotes

e mantilhas pretas

entram espadas chifres e derrotes

e alguns poetas

entram bravos cravos e dichotes

porque tudo o mais são tretas.


Entram vacas depois dos forcados

que não pegam nada.

Soam brados e olés dos nabos

que não pagam nada

e só ficam os peões de brega

cuja profissão não pega.


Com bandarilhas de esperança

afugentamos a fera

estamos na praça da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo

pelos cornos da desgraça

e fazermos da tristeza graça.


Entram velhas doidas e turistas

entram excursões

entram benefícios e cronistas

entram aldrabões

entram marialvas e coristas

entram galifões de crista.


Entram cavaleiros à garupa

do seu heroísmo

entra aquela música maluca

do passodoblismo

entra a aficionada e a caduca

mais o snobismo e cismo...

Entram empresários moralistas

entram frustrações

entram antiquários e fadistas

e contradições

e entra muito dólar muita gente

que dá lucro as milhões.


E diz o inteligente que acabaram as canções.